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É PRECISO UMA “EVANGELIZAÇÃO” DO E-COMMERCE EM CABO VERDE

O “e-Commerce: entre Desafios e Oportunidades” foi mote, esta terça-feira, 24, de um workshop, que ANAC, em parceria com os operadores do setor postal, organizou na sua sede em Chã D’Areia – juntando os seus stakeholders para celebrar o Dia Mundial dos Correios, que se comemora a 9 de Outubro.
O tema da conversa que decorreu de forma descontraída, afunilou-se para a problemática da logística e dos transportes. Ou seja, os presentes quiseram saber, qual é o estado da arte do comércio eletrónico em Cabo Verde e quais os constrangimentos com que se depara, no domínio da logística e dos transportes.
Na verdade, não existem estudos em Cabo Verde que indicam o nível de desenvolvimento do “e-commerce” no País. Contudo, acredita-se que até 2030, o comércio eletrónico em Cabo Verde deverá crescer em torno de 75 por cento. Em face desta tendência, os operadores têm que se preparar para fazer face aos constrangimentos a nível da logística e dos transportes, às barreiras alfandegárias, à regulamentação dos serviços ligados à assinatura digital, à problemática ligada ao pagamento através de plataformas digitais, etc.
Para o presidente da ANAC, David Gomes, o transporte, a movimentação e o armazenamento de encomendas dentro e fora das empresas do setor postal, garantindo a integridade e os prazos de entrega dos produtos aos clientes, são aspetos importantes no comércio eletrónico.
“O negócio pela Internet exige cuidados específicos em relação às entregas e ao relacionamento com o cliente, antes, durante e no pós-venda. O sistema precisa ter uma boa logística para entregar no transitário até chegar o destino”, sublinha Gomes, em declaração à imprensa à margem dos trabalhos do workshop.
Os presentes que deram nota positiva ao evento, convergem-se na necessidade de os operadores do setor postal, a entidade reguladora, no caso a ANAC, as empresas ligadas às novas tecnologias de informação e comunicação e os stakeholders do ecossistema “e-commerce” se juntarem numa grande campanha de “evangelização” do comércio eletrónico em Cabo Verde, já que apesar da tendência de crescimento, conhece-se, ainda, muito pouco os seus meandros de funcionamento.
Consideram, igualmente, os participantes que intervieram nas conversas, que o comércio eletrónico em Cabo Verde pode ser uma grande oportunidade de negócios e parceiro do Governo na resolução do problema de desemprego no País. “Há serviços que não precisam de nenhuma logística para os vender dentro e fora do País. Estou a referir-me, por exemplo, a venda on-line de serviços hoteleiros. Não precisam de logística. Eu compro e recebo uma reserva. Venda de jornais em PDF, que começamos há oito anos em toda nossa diáspora”, lembra Paulo Martins da Prime Consulting, desafiando instituições como ANAC, Cabo Verde Trading Invest, operadores do setor postal e bancos comerciais a colocarem todos serviços à disposição dos consumidores através da plataforma online.
Desta forma, garante Martins, as instituições estariam a promover o comércio eletrónico em Cabo Verde, mas ao mesmo tempo, a criar as oportunidades de negócios e, consequentemente, o emprego e a competitividade das empresas do setor.
Jassica Tavares diretora comercial dos Correios de Cabo Verde, considera que os operadores postais têm de cumprir dois grandes desafios, na era da e-comerce: a satisfação dos clientes e os transportes. Para isso, a sua empresa criou o conceito “morada certa” assente numa espécie de tracking force, que permite os clientes acompanhar o fluxo da sua encomenda desde compra até chegar o seu destino, sem ter que enfrentar filas de espera, nos correios.
Para aquela responsável comercial dos CCV, o comércio eletrónico em Cabo Verde enfrenta, ainda, um outro grande desafio, que tem que ver com acesso das pessoas aos cartões de crédito nos bancos comerciais. “A nível internacional todas as pessoas usam cartões de crédito para fazer pagamentos. Aqui em Cabo Verde, posso comprar com cartão de débito. Mas eu quero ir para um mercado maior a nível internacional. Mas para isso, preciso de um cartão de crédito”, assevera Tavares questionando a percentagem residual das pessoas que usam cartão de crédito no nosso País. “Não é só os operadores postais, neste caso, os Correios de Cabo Verde que têm que dinamizar o e-commerce, mas também os bancos comerciais, porque ele é uma realidade”, remata.